Como fazer iogurte natural em casa – diretamente da cozinha da Pat Feldman!

No início deste ano (em janeiro para ser mais precisa), percebi pelo instagram que a Pat Feldman estava passando férias em Balneário Camboriú, praticamente no mesmo local em que meus pais moram.

Só aquilo já me deixou completamente enlouquecida, pois sou uma fã ardorosa da culinária dela: uma comida simples, com ingredientes frescos e sem atalhos, tudo feito de forma lenta, desde as etapas mais elementares. Há anos já leio o site dela, cheio de receitas e técnicas básicas, e é de lá que vem a minha própria receita de caldo de carne e legumes, além de outras combinações que leio sobre, para me inspirar.

Sou uma fã entusiasmada da família Feldman, li o livro sobre enxaqueca do doutor Alexandre, adoro o estilo de vida simples, mas ao mesmo tempo sofisticado que eles deixam mostrar pelas redes sociais.

E aí, para a minha alegria, ela abriu algumas turmas para suas aulas em sua cozinha, a menos de uma quadra de distância!

Participei da aula de fermentados, que achei que me seria mais útil do que as aulas de caldo (que já faço com regularidade) e da de linguiças (por mais que adore, não pretendo fazer isso em casa). Custou R$250 por aula, valor que para mim é um pouco alto, mas vejo que outros cursos que já pensei em me inscrever variam nesta faixa, um pouco a mais ou a menos que isso.

Enfim: nossa pequena turma tinha 4 alunas, eu inclusa, e naquele dia pela manhã, recebemos a apostila pelo whatsapp. Num ambiente super descontraído e informal, conversamos sobre o processo de fermentação no geral, e sobre como isso é benéfico para nós. Não tinha muito tempo Pat havia conhecido o “guru” da fermentação da atualidade, Sandor Katz (sobre o qual havia lido a respeito no clássico que virou até série no Netflix, Cooked – de Michel Pollan).

Praticamos e fizemos um chucrute de repolho branco, fizemos um iogurte, falamos ainda de outras variações de alimentos que se prestam a fermentar, e o principal: tiramos dúvidas, falamos de dicas de lugares, produtos, e também uns pequenos macetes que ajudam muito quem vai começar no frenesi do fermentar. Saí de lá fermentando a casa toda, fabricando iogurtes (as primeiras levas ficaram completamente deliciosas), depois dessorando para virar creamcheese, depois fiquei monitorando o meu chucrute de repolho roxo (por medo do calor, guardei cedo demais na geladeira, hora dessas, preciso criar coragem e refazer).

Degustamos ainda uma das linguiças caseiras da Pat, com chucrute, catchup lactofermentada feita por ela, picles feito por ela. Notei que as conservas dela têm um sabor bem mais neutro, menos azedo, e eu particularmente me agrado pois alimentos excessivamente ácidos e picantes me causam aversão. Gosto muito de conservas, mas prefiro quando estão mais para o adocicado (inclusive, os picles que comi na Eslováquia tinham mais este sabor um pouco mentolado e adocicado, não tão azedo).

Foi uma tarde para levitar, em que aprendi inúmeras coisas sobre fermentação, mas também sobre uma vida tranquila e ajustada, vislumbrando alguns rasgos de coisas que aspiro: incomodada que estava com os preços proibitivos de BC, estava frustrada porque havia deixado de sair para comer, mas quando a Pat comentou que não tinha ido a restaurante nenhum em suas férias inteiras, aquilo me tocou num ponto. Se ela, que mora em São Paulo e frequenta restaurantes tão mais caros que o nosso padrão de preços aqui, achou que não valia a pena (pelo preço cobrado), porque eu deveria me frustrar e acabar pagando caro por algo que não acho que vale?

Vi como ela é tranquila, um pouco distraída (quase queimamos o leite do iogurte, ficávamos de conversa por mais tempo do que o proposto) e não está mal por isso – está bem, feliz, e se mostra sem receio. Vi como seus dois meninos são lindos e cheios de energia, vi que ela, assim como eu, é canhota. 🙂

Reproduzo aqui a receita do iogurte, pois a mesma consta em seu site: aliás, importante frisar, que quem se dá bem com receitas escritas, tem tudo lá. Mas recomendo fazer uma aula prática aqui e outra ali, pois certos detalhes se pegam com mais facilidade conversando e demonstrando (digo isso como iniciada e bem avançada na arte de fazer receitas apenas lendo explicações por escrito)!

Recentemente, devo lhes confessar que errei já duas receitas de iogurte, que não fermentaram. Vou precisar tentar novamente, para ver qual é o problema (já tenho dois palpites)! Se isso acontecer, pode mesmo assim beber o leite, bater em vitaminas, que mal não há de fazer – só não é iogurte.

IOGURTE INTEGRAL DA PAT FELDMAN (clique aqui para ler diretamente no site dela)

½ xícara de iogurte natural puro (uso sempre o da Yorgus, mas qualquer um natural e integral serve, só atentar para que tenha o mínimo de ingredientes possível, a saber: leite e fermentos lácteos)

1 litro de leite integral (compro o de saquinho, mas quanto mais fresco melhor, tipo o Leitíssimo)

Ferva o seu leite numa panela que não seja de alumínio. Deixe esfriar até o ponto em que você possa manter o seu dedo mergulhado nela por 10 segundos – nem mais, nem menos, ou não terá iogurte.

Adicione o iogurte, batendo com um garfo ou fouet, de modo a misturar bem o leite com a cultura. E então tampe a sua panela, forre o forno com toalhas, enrole em mais uma toalha ou pano grosso, e deixe lá durante a noite – ou por no mínimo 6 horas. Quanto mais quente o dia, mais rápido o processo.

Depois é só guardar na geladeira e ir consumindo. Conforme a Pat nos disse, o iogurte não estraga, ele vira outra coisa, pois é um alimento vivo. A maioria das pessoas (inclusive eu) gosta dele com até 4/5 dias de idade, depois fica excessivamente azedo.

Se quiser fazer sempre, convém guardar sempre uma pequena medida para o seu próximo iogurte.

O creamcheese fica muito gostoso, basta coar durante uma noite, dentro da geladeira.

OBSERVAÇÕES ADICIONAIS

– quanto melhor o seu iogurte base, e o seu leite, melhor será o seu iogurte caseiro;

– tudo que é fermentado tem uma boa dose de espontaneidade, assim, ficar mais ou menos grosso, mais ou menos azedo, são variáveis que não tem muito como prever – ainda bem;

– em noites mais frias, pode ser bom fechar bem a cozinha, e até ligar um pouco o forno, deixar aquecer, desligar e colocar o iogurte num ambiente morninho, para incentivar a fermentação;

– na questão da temperatura, é necessário cautela, bom senso ou um termômetro. Porque se o leite esquentar demais, vai matar as bactérias do iogurte, e se esquentar de menos, não vai funcionar para a fermentação. A boa notícia é que a experiência traz isso!

Café da manhã britânico (english breakfast)

Faz poucos dias que terminaram minhas lindas férias em Londres, cidade que visitei pela primeira vez – e na qual um dia ainda vou morar (prometo a mim e a vocês)!

Encantada por diversos aspectos da cidade, que pretendo desenrolar um pouco mais em outras postagens, não posso negar que estava muito ansiosa fazia tempo era pelas comidinhas: queria comer queijo cheddar de verdade, provar o queijo stilton pela primeira vez, aproveitar ser uma capital tão cosmopolita e comer coisas de outras partes do mundo…e provar o english breakfast.

Sei que ele divide opiniões, por ter mais cara de almoço do que café da manhã (quando pensamos no nosso), mas uma coisa real é que as nossas refeições tradicionais são uma mistura da disponibilidade local com os hábitos culturais. Como britânicos iam comer mamão no café da manhã? Ou tapioca? Importando a preço de ouro para chegar sem gosto de nada?

Eu particularmente não tenho problema algum com o café da manhã de nenhuma parte do mundo que fui, e estava bem ansiosa por esse, pois gosto de experimentar tudo que é típico e também para economizar (afinal, com isso saía bem cheinha).

Tomávamos sempre nosso café em casa, no flat coisa mais linda que usamos em Canary Wharf. E todas as noites, passava num TESCO (supermercado) para comprar um iogurte, um queijo e mais alguma coisa para a manhã seguinte. Meu irmão e cunhada, que já moraram em Londres, sempre compravam a latinha dos feijões Heinz, que compõe o english breakfast.

 

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Então num dia, comi os feijões com as salsichas de Cumberland, sobre as quais também havia lido, além do queijo Stilton (queijo azul estilo do gorgonzola, só que da cidade inglesa de Stilton, um pouco mais amargo, maravilhoso), com ovos na manteiga e me encantei! É realmente tudo muito gostoso, poderia facilmente se tornar o meu café da manhã de todos os dias!

E antes de vir embora para o Brasil, já de véspera, dormimos no Ibis lá próximo do aeroporto, e lá anunciava um café da manhã com tudo isso, até as 12h, por 10 libras. Como meu voo seria somente às 18h, propositalmente eu deixei para tomar este café às 11h, e comi (e repeti, não vou mentir) algumas vezes antes de ir embora – assim pulei o almoço e a necessidade de lanchar dentro do aeroporto, onde tudo costuma ser bem mais caro.

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E olha, valia muito a pena: além dos itens do english breakfast, tinham iogurtes (naturais dentro do pote de vidro, uma graça), frutas, guacamole, ovos mexidos, diversos queijos, cinnamon buns (rolinhos deliciosos assados, com gostinho de canela) e pães, lógico – pães estes que achei bem gostosos, mas também fui a Paris e quanto a isso, fiquei exigente.

Em diversos estabelecimentos é possível comer este café da manhã, não só em hotéis – como eu sempre estava em casa nesse horário, não provei o de outros lugares, mas a verdade é que dá para comer tanto fora, quanto em casa (se sua hospedagem tiver cozinha) e sempre vai ser delicioso!