Minha péssima experiência usando aparelho ortodôntico

Essa postagem não é uma crítica aos profissionais que me atenderam – por sinal, não divulgarei seus nomes, e voltaria neles em caso de real necessidade.

Durante um tempão, eu procurei literatura na internet sobre a correlação entre aparelho ortodôntico e bruxismo, estresse ou outros problemas relacionados  – e nunca encontrei. Mas hoje queria deixar registrado como uma decisão aparentemente inofensiva pôde mudar toda a minha vida para pior. 

Há muitos anos atrás, eu fui numa consulta odontológica de rotina e a dentista da vez comentou que eu precisava extrair meus sisos. Segundo ela, eu tinha uma boca muito pequena para tantos dentes, e que isso iria eternamente me atrapalhar.

A tendência era, além de entortar meus dentes, entortar também o meu rosto, caso eu não fizesse isso. Também mencionou que eu provavelmente teria que extrair outros dentes, além dos meus 4 sisos. E devido ao comprometimento do alinhamento, já iria precisar de aparelho ortodôntico.

Eu confesso que sempre fui meio fissurada por tudo relacionado aos dentes e sorriso. E a imperfeição estética dos meus dentes me incomodava, ainda que fosse razoavelmente discreto e a maioria das pessoas não visse. Salvo se eu mostrasse.

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Eu, 6 meses antes de colocar o aparelho – assim eram meus dentes

Assim, eu acatei imediatamente o prognóstico dela e fui em busca de “arrumar” tudo o que estava errado: fiz a extração dos sisos, o que ocorreu bem facilmente. Fui para o consultório particular dessa ortodontista, e fechamos o contrato do aparelho. Eu sequer procurei outro profissional, para uma segunda opinião.

Eu só me preocupava com aspectos estéticos: se o aparelho seria fixo, se seria transparente, se eu precisaria de clareamento antes ou depois. Eu fiz clareamento antes de colocar o aparelho fixo, porque a sócia dela me disse que o aparelho ficaria mais discreto assim.

Eu fui numa cirurgiã plástica medir meu rosto, meu maxilar e queixo. Há anos o meu rosto de perfil me incomodava, porque não tenho essa linha bonita e desenhada que está tão em alta. Estava já com tudo esquematizado para após a retirada do aparelho: iria colocar uma prótese no queixo, para harmonizar o rosto.

Caso alguém questionasse a necessidade de tudo isso, eu me agarrava ao primeiro prognóstico. O de que eu só estava mexendo nisso tudo pela minha saúde, pois afinal, aquilo poderia me causar enxaquecas e muitos outros problemas.

E fazia questão de apontar, bem nitidamente, onde estava o meu defeito. Os dentes da arcada inferior que eu considerava absurdamente tortos.

Em setembro de 2017, eu fiz os exames anteriores à colocação do aparelho: você mastiga uma massaroca de sabor horrível, tenta não vomitar, para criar o molde. Cada mínimo procedimento é mais um gasto, cada exame, cada radiografia é num lugar diferente.

Finalmente, ficou tudo pronto e eu coloquei primeiro a parte inferior: pecinhas e fio transparente, tecnologia ortoligável. Era o que tinha de mais avançado para o meu caso, e eu fiquei muito tranquila, porque era discreto.

No mês seguinte, colocamos a parte de cima. E aí, meus amigos, começou o meu verdadeiro suplício. Eu não conseguia mastigar nem sequer uma banana molinha, quanto mais um alimento sólido. Quebrei as pecinhas do aparelho tantas vezes, que era raro o mês que não precisávamos colar.

 

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Esse sorriso falso me acompanhou por quase dois anos.

A minha dicção ficou tão esquisita que eu parei de conversar, simplesmente. Perdi a vontade de falar, fiquei com medo de soltar perdigotos em cima do interlocutor. Lembro que houve uma palestra no meu trabalho, que eu simplesmente optei por não ministrar.

Esteticamente, eu morria de vergonha. O meu rosto foi mudando, a conformação dos ossos foi afinando drasticamente. Eu tinha um rostinho ligeiramente rechonchudo, e pouco a pouco, eu fui ficando cada vez com o rosto mais comprido. Só sorria com a boca fechada – e parecia que meu rosto agora sempre parava com umas bocas meio tortas, esquisitas.

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Nessa foto vocês podem ver as pecinhas já com metal, e borrachinhas.

Eu também comecei a acordar com dor de cabeça, e com a boca muito ressecada. Eu vivia cheia de aftas, também, é lógico.

De um tempo em diante, começou a aparecer a ideia de que eu tinha bruxismo. Mas eu nunca antes havia sequer convivido com esse diagnóstico! Minha ortodontista dizia que era comum, que muita gente só descobria quando quebrava algum dente dormindo (!).

Vou encurtar a história pra vocês: havíamos falado inicialmente que o tratamento duraria dois anos, porém, os dentes de baixo estavam longe de desentortar. O fio ortoligado já estava prateado há um bom tempo, nada daquele lindo aparelho discreto. Algumas peças já eram de metal, pois segundo ela, seria a única forma de segurar bem no lugar.

No penúltimo mês, comentei brincando que não via a hora de ser o mês seguinte e arrancar tudo. Nessa hora, ela sorriu amarelo e mencionou que dois anos era o plano inicial, mas que certamente demoraria mais.

Eu disse, naquele momento, que nada mais me importava: ia arrancar com dois anos de uso, do jeito que estivesse. Que não aguentava mais, que queria tirar, e aparelho não era para mim.

A abençoada da mulher disse que, se era isso mesmo que eu queria, ela tirava naquela hora. E menos de 1h depois, eu estava sem aparelho!

Ela ficou desolada. Disse que lamentava muito a minha insatisfação, que caso eu quisesse dar continuidade no futuro, ela nem me cobraria nada. Que era raro alguém ficar tão insatisfeito como eu, mas que infelizmente, eu tinha sido “premiada” com algumas dificuldades.

Eu fui embora liberta, contente, e voltei lá apenas uma vez para terminar de arrancar umas peças. Até hoje sinto meus dentes um pouco ásperos, do tempo que usei o aparelho – mas a sensação diminuiu com o tempo.

O resultado ficou belíssimo, mesmo sem terminar: no início, todo mundo ficava impressionado com a beleza daquele meu sorriso, que mesmo depois de dois anos de aparelho, estava branquíssimo e bem mais alinhado. Além disso, eu havia voltado a sorrir escancaradamente, como sempre gostei de fazer.

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Algumas semanas após tirar o aparelho

E afinal, qual foi a moral de toda essa história?

Eu passei quase dois anos sofrendo diariamente por uma decisão impensada. Gastei dinheiro, energia, perdi qualidade de vida. Tudo isso porque não conseguia aceitar que os meus dentes não eram perfeitos. E porque um dia, eu ia “botar queixo” na minha cara.

Eu fingi que os motivos eram nobres, mas eu só não gostava da minha aparência. Eu dava um zoom tão grande naqueles “defeitos”, que perdi o senso crítico. Deixei de ver a funcionalidade da coisa (você já parou pra pensar na funcionalidade dos seus dentes da frente? Tenta pensar em como você morde um pedaço de chocolate!) e foquei na eterna correção do que estava errado.

Essa é, sem sombra de dúvidas, um dos meus maiores arrependimentos depois de adulta. Talvez seja porque eu já era meio ‘velha’ quando coloquei, talvez eu realmente estava fora das estatísticas. Mas eu achei que valia como registro, contar o quanto foi difícil para mim.

Você já usou aparelho ortodôntico? Como foi a experiência? Já fez algum procedimento em nome da estética do qual se arrependeu? Comenta comigo!

 

 

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