Síndrome do intestino irritável e o fator psicológico

Eu conto pra vocês há anos, literalmente, que eu vivo atrás de um jeito de melhorar a minha digestão. (Clique aqui para ler mais sobre isso)

Primeiro, eu tinha uma azia persistente, depois, eu fui vendo que eu tinha muitos dias em que me dava cólicas (com ou sem diarreia), estufamento abdominal, e absorção quase nenhuma de nutrientes. Um cansaço descomunal.

Menos de 6 meses depois, o diagnóstico de depressão completava e complicava muito o meu estado de saúde. Tanto meu gastro, como meu psiquiatra, são taxativos em dizer que num ciclo de “ovo ou galinha”, eu não vou saber quem trouxe quem. Mas uma doença influencia diretamente na outra, o tempo todo.

Clique aqui para ler as postagens sobre depressão

Com a depressão, eu comecei a insistir em olhar mais pra dentro, para as minhas emoções. Dar nome a elas, tentar estabelecer algum parâmetro. Eu não tinha nem nome para a maior parte das coisas que eu sentia! E fui monitorando, quando havia coincidências entre minhas crises intestinais, e minhas crises depressivas.

A resposta é um óbvio e retumbante SIM, mas vou também discorrer um pouco sobre o como. No caso, em 4 associações que consegui estabelecer entre o psicológico e a síndrome do intestino irritável:

  1. Para o meu intestino, o estresse é mais grave do que o alimento.

Primeiro, fui vendo os dias bons, que eram muito menos do que os ruins – portanto mais fáceis de detectar. Percebi que, quando estava de férias, nunca passava mal comendo nada na rua. Na verdade, eu comia tudo o que teoricamente me fazia mal (principalmente a lactose), e seguia impávida.

Ali tive um primeiro insight de que quando estou sob pressão, estressada, mesmo os alimentos “bons” poderiam me fazer mal. E de fato, faziam. Inúmeras vezes, tive crises de diarreia e cólicas sem ter comido nada de errado.

2. O efeito nem sempre é imediato. 

Quando estou sob pressão e estressada, eu como sem nem ver que estou comendo. Passo pra pegar um café, já vejo uma bolacha horrorosa aberta e me sirvo de algumas. Meu namorado faz seus sanduíches de maionese industrializada, pão branco, queijo de fatia e salame, e eu dou fartas mordidas.

Parece pouco, mas aquilo que é abocanhado entre as refeições, quase que sem ver ou sentir, também entra. Também é metabolizado, e às vezes, mal digerido. Nem sempre de forma imediata: às vezes, só no dia seguinte.

Às vezes, dois dias depois.

3. As crises depressivas também dão sinais fisiológicos.

Quando estou com minha depressão mais agravada, sinto um desespero por açúcar – um belíssimo preenchedor de dopamina fácil.  Literalmente, qualquer doce serve. Nem precisa ser algum bolo gourmet. Chego a sentir um tremor nas mãos!

Sou  viciada em balas, principalmente as puxentas. E encaro cada pacote de Fruittella como uma missão a cumprir, devorando uma por uma, às vezes duas na boca. Elas não me causam mal-estar imediato, mas óbvio está que também não me ajudam no funcionamento do intestino – nem da mente.

Só que eu decidi aceitar a presença do açúcar na minha vida. Ele vai fazer parte dos meus dias, todos os dias. Porque se eu como um doce neutro, como um pedaço de bolo de banana, todos os dias, eu não devoro um pacote de balas. E eu prefiro assar um bolo em casa com os melhores ingredientes possíveis. Eu relaxo com a atividade de cozinhar, e ainda consumo um alimento mais saudável.

4. Beber é hoje um dos meus piores hábitos “alimentares”.

Cada vez mais, o álcool tem me descido meio atravessado, mas por apego à lembrança teimosa de como eu gostava de beber, eu acabava consumindo a mesma quantidade de antes. Só que eu não consigo mais!

Talvez pela idade, talvez pelas doenças, o fato é que beber álcool me deixa muito letárgica no dia seguinte. Vou poupar vocês dos detalhes escatológicos, mas meu intestino também não funciona muito bem no dia seguinte. Às vezes, não funciona nada bem.

Por apreço ao sabor, ao fator socializante do vinho, eu ainda sigo teimando. Bebo menos, mas ainda vacilo e ultrapasso a dose entre o veneno e o remédio. Gosto do barato que dá ali entre a primeira e a segunda taças.

É lógico que a constelação de fatores a se levar em conta é muito maior do que só isso. Mas o fato de que as duas doenças caminharam sempre juntas, no meu caso, me deixa um pouco mais esperançosa: se hoje eu estou digerindo melhor os alimentos, absorvendo melhor os nutrientes, é um bom sinal para as minhas sinapses do cérebro!

E de fato, quando melhorei muito da depressão, acertando o medicamento, acompanhamento psicoterapêutico e as mil terapias alternativas que intercalo, coincidentemente (ou não), meu intestino também foi melhorando!

Espero que isso dê esperança também a quem lê e passa por coisa parecida.

 

 

 

 

 

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