Miami merece um mea culpa

Duas semanas atrás, seis horas da tarde, aterrissei em Miami, na Florida, para passar alguns dias de férias.

Escolhi Miami porque queria ter uma experiência nos Estados Unidos, mas não queria passar frio. Tomei a decisão de que banhos de sol intensos são necessários e terapêuticos ao meu tratamento de depressão. E fui atrás disso num país diferente…

Quando imaginava Miami, pensava em estereótipos de futilidade, consumismo e tudo artificial. Acho que pensava em Las Vegas sem cassinos (e sem os shows). Mas quando a passagem apareceu tão barata, me convenci que poderia pegar praia lá, e nos intervalos, comprar umas  brusinhas.

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Área da piscina do meu hostel, um prédio art déco.

 

Passei dois meses pesquisando, e mordi a minha língua ao chegar. Quando senti aquela lufada de ar morno, na noite de inverno, vendo as palmeirinhas e os prédios art deco, estava completamente convencida do meu erro no julgamento e acerto na escolha.

De manhã cedo, Miami Beach dormita e é um pouco gelada. Até a areia da praia é gelada, e quase não se vê ninguém nas casinhas de salva-vidas. Mas a água, mesmo naquele horário é quentinha, e permanece assim o dia inteiro. As ondas quebram azuladas, profundamente limpas.

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South Beach e suas águas maravilhosas e cristalinas

Passaram por mim loiras quase alaranjadas, cinquentonas com corpos atléticos e cabelos de aplique. Mais de uma, mais de dez. Alguns galãs grisalhos, de óculos escuros, e mulheres negras fortonas e cuja voz é uma melodia. Estrangeiros falando todos os idiomas que você quiser.

Carros conversíveis cujos nomes não sei, mas aumentavam a percepção de que eu estava num filme de época, em que mafiosos bebem drinques coloridos em redes tropicais.

No porto de Miami, as gaivotas amostradas não têm medo de gente. Passeando de barco, vendo as mansões dos famosos, não pude deixar de me imaginar ali, vivendo à beira daquele mar. Ainda não havia muito clima de Natal em novembro por lá.

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Miami Port

Todos os fins de tarde, o céu começava a se pintar de roxo, laranja bem intenso, quase vermelho, azul, e todas as cores lindas possíveis. Já vi muito sol se pôr em muito lugar, e com certeza absoluta, o céu em Miami é especial.

O cheiro de flores pelas ruas de casinhas de jardins era presente pelos lugares onde eu andava. Assim como os cachorrinhos de raça dentro de carrinho de bebê, que me divertiam.

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A comida não era nada ruim – pelo contrário, achei tudo bem gostoso e extremamente grandes as porções. Comi mais pizza lá em uma semana do que no resto do ano por aqui, e eram todas maravilhosas. Mas o que realmente me pegou, foi a pumpkin season, e o cheesecake de pumpkinspice do Whole Foods roubou meu coração.

 

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Um dos melhores doces que já comi na vida. Sem brincadeira.

 

Imagine você: uma base de torta, o creme doce de creamcheese, uma camada de purê de abóboras bem docinho, cheio de especiarias, um caramelo salgado puxento, e algumas nozes pecã crocantes e açucaradas por cima de tudo. A explosão de sabores e texturas me deixou doidinha.

Também estive lá no Dia de Ação de Graças, e achei muito bonito ver como as pessoas estavam animadas para esse feriado. Eu que não sou vegana, fiquei chocada com a quantidade de perus enormes, crus e assados, à mostra em todos os mercados.

E por falar em mercado, tive também a minha experiência de levar uma bandeja de 4 iogurtes por apenas 3 centavos a mais do que a unidade. Foi engraçado, e espero que não tenha sido um desperdício (deixei dois para trás, na geladeira da minha hospedagem).

Fiquei em dois lugares e estilos de acomodação diferentes. Ambos foram sensacionais, e me ofereceram experiências bem distintas. Ambas eram em South Beach, decisão da qual não me arrependi. Mas o dia que voltar, já me encorajei de experimentar outros lados.

Andei quase o tempo todo de trolley, um bondinho antigo reformado e gratuito, que passa pelos lugares turísticos.

Não fiz nada diferentão, só simplesmente aproveitei a energia gostosa de cidade de praia e deixei aquele sol me invadir. Comi coisas gostosas, observei as ruas, os verdes, as pessoas. E já foi muito, muito incrível!

Mas se eu tivesse mais tempo, tinham muitas outras coisas que poderia fazer. Tantos outros lugares a visitar, museus, bibliotecas, exposições, feiras. Comprei uma antiguidade numa feira domingo, na Lincoln Road – que por sinal estava cheia de estátuas de Botero, aquele artista colombiano que faz todo mundo meio gordinho.

Saí querendo ficar. E pretendo voltar!

 

 

2 comentários em “Miami merece um mea culpa

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