Miracle morning – o que aconteceu depois de 10 meses de uso

O Milagre da Manhã é um livro de autoajuda. Digo logo porque sei que é um gênero complicado, para o qual muitas pessoas torcem o nariz, e acho que essa problematização é justa.

Eu achei o livro um pé no saco. Principalmente a primeira parte, que é uma grande propaganda do que o milagre pode fazer por você. Eu li de teimosa, só porque queria muito chegar na parte da execução.

O livro consiste basicamente em: você acordar mais cedo do que o habitual, para focar nas suas prioridades logo de manhã. Ele tem inclusive algumas coisas que sugere que você faça logo pela manhã: ler, meditar, visualizar as coisas que deseja, fazer exercícios físicos… São 6 itens, e cada um deles durando cerca de 10 minutos, você levantaria uma hora antes.

Eu terminei de ler o livro dia 1 de maio de 2018, e no dia 2, lá estava eu, 5h da manhã, praticando o meu próprio milagre. Customizei para as atividades que eu considerava prioritárias: ler os livros que estavam encalhados, organizar ambientes da casa, meditar, fazer alongamento, escrever um pouco, visualizar as coisas que desejo.

Efeitos de ter praticado esses hábitos: li 12 livros em 3 meses (3 deles estavam encalhados literalmente há anos), coloquei todas as minhas finanças organizadas e anotadas (e economizei bem mais com isso), me desfiz de mais de 100 objetos sem uso em minha casa, me matriculei numa pós-graduação, atravessei todo o turbulento tratamento recente que estou ainda fazendo com uma atitude otimista e com persistência. Parei brutalmente com o desperdício de comida, e segundo A Analista, avançamos quilômetros com meu inconsciente mais aberto, depois que me propus a aprofundar minha própria consciência. Hoje dou nomes a sentimentos que anteriormente nem sabia que eu sentia. Planejei e executei decisões importantíssimas para minha vida: abandonei um projeto fracassado que há muito queria pular fora, mas me sentia culpada por não querer mais. “Demiti” do elenco de minha vida duas pessoas que não só não agregavam nada de bom, como ainda sugavam a minha pouca paciência.

Mas nem tudo foram benefícios.

Primeiro, as transformações sentidas. O referencial da gente muda, conforme a gente muda. O grau de satisfação que acordar 5h da manhã e praticar esses hábitos me causavam, já não é mais o mesmo do primeiro mês. Não porque eu tenha me cansado, ou desistido deles – mas porque me habituei a ser uma pessoa melhor, e me sentir uma pessoa melhor. Se antes, eu era uma pessoa que não lia de manhã cedo, como melhorar a mim mesma na versão que já habitualmente lê 50/60 páginas no cu da madrugada? Ou seja: a vista mudou, porque o ponto de vista mudou. A gente se adapta, e aí, precisa de uma nova realização.

Indiretamente, meu estado mental foi se deteriorando, e a privação de sono jogou um papel muito importante nisso. Com a depressão, levantar-me cedo foi ficando cada vez mais pesado, e hoje eu dou total prioridade ao meu sono. Os hábitos que consolidei, mantenho em horários diferentes. Os que não incorporei, são abandonados em detrimento de dormir.

Por fim, eu sou uma pessoa que brinca com o TOC bem de pertinho. Tenho uma tendência a querer quadricular a minha vida, e um protocolo chamado de “milagre” acaba me seduzindo. Esse é um desafio meu: não perder o essencial (e me perder) em checklists e sistemas.

Honestamente, os protocolos de #miraclemorning são algo que eu recomendaria a qualquer pessoa de quem gosto. Não sei se a pessoa precisa realmente ler o livro para fazer isso, mas eu quis ir direto à fonte. Os arquivos que o site envia para quem quer começar, são bem úteis também, ensina como praticar algumas coisas, como quantificar e mensurar as melhorias que quer fazer, nas diversas áreas da vida.

No entanto, vale a reflexão: é do seu agrado, é do seu perfil fazer desse jeito? Ou você prefere outros métodos? Quem sabe você meio que já tem o seu, e só precisa mesmo é de levar isso na ponta do lápis?

Sou totalmente do dia, e favorável a todo mundo dormir e levantar o mais cedo que pode. Mas 5h da manhã, a troco? Quanto custa isso no seu rendimento ao longo do dia, nos seus relacionamentos?

Cheguei agora numa fase, de querer que o processo seja mais fluido, e menos na base da marretada.

 

Um comentário em “Miracle morning – o que aconteceu depois de 10 meses de uso

  1. Gostei da ideia geral do livro que vc passou… Me parece que ajudou a vc a por algumas coisas que vc queria em prática e te deu uma nova visão de suas prioridades. Já me interessei em ler e por em prática!

    xoxo

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