Comida de família, agora que somos uma

No finalzinho do ano passado, o que era informal tornou-se oficial e estamos morando juntos – eu, Mozão e o cãozinho. Com isso, precisei revisar tudo o que fazia por conta própria, para estabelecer novas “diretrizes” domésticas, dividindo melhor as escolhas, as responsabilidades, e também o orçamento.

Confesso que estou aliviada com essa última divisão – um apoio material é sempre bem-vindo. E gastar menos do que ganho é um dos meus grandes “lemas” para a vida, incluindo 2019.

Me atendo ao que faço de melhor, revisitei minha “filosofia” alimentar e adaptei-a ao novo coletivo, agora que cozinho para a família. Cozinho o que bem entendo em 99% do tempo, importante frisar, mas minha audiência em casa é fiel, e 95% das vezes, eu acerto.

Estou vivendo sob essas novas guias, que não são uma palavra final, pois uma das principais resoluções é não tornar a coisa toda muito chata. Comida para mim é assunto da maior seriedade, envolvem aspectos técnicos, éticos, científicos, emocionais, mas não pode jamais perder o componente do prazer. Cozinhar é minha terapia, meu mecanismo de meditação, não pode ser obrigatória, proibitiva, ter restrições descabidas.

Tenho ido mais amiúde ao supermercado (um dos meus passatempos prediletos, aliás), comprando mais vezes em menor quantidade. Até porque, agora no verão, tudo se deteriora rapidamente, e consigo monitorar melhor o preço e o aspecto de meus alimentos prediletos. A cada 3/4 dias, atualizo o estoque de folhas verdes (me comprometi a comer diariamente um prato cheio), frutas, legumes e vegetais.

Semanalmente, escolho algumas proteínas, que também não tenho mais feito estoque: uma carne vermelha, peixe quando calha de estar com bom aspecto (senão levo peito de frango), dezenas de ovos e também alterno entre tofu e atum em conserva. Meses atrás, participei de um desafio de 13 dias, conduzido pela maravilhosa nutricionista Jaqueline Muller (a @nutrijaquemuller no instagram), e ficamos um período sem nenhum tipo de carne, depois reinserimos peixe, frango e por fim a carne vermelha. Foi um período interessantíssimo para aprender a diversificar as fontes de proteína, inclusive animal. Atualmente, comemos uma proteína por dia, além dos ovos.

Quinzenalmente, dou uma batida em coisas mais complexas na execução, como os grãos e leguminosas (que pelo trabalho todo de demolhar, não faço sempre). Costumo comprar grão de bico orgânico a granel na Feira de Coqueiros (todo sábado de manhã, caso você more por aqui) e faço tudo de uma vez só, congelando para porções futuras.

Mais ou menos em frequência quinzenal, também adquiro pão de fermentação natural, doces (alterno entre os convencionais e os fit), embutidos e queijos mais gostosos. Sou intolerante a lactose, então isso significa que quase sempre, não serão queijos de vaca.

Compramos sempre o mesmo espumante francês (cujo custo benefício é ótimo), na média de uma vez por semana. Também bebemos com água com gás, e para mim, kombucha. Uso as ervas que tiver em casa para aromatizar água gelada, e quando não tem, gosto de fazer água de cravo (2 dentinhos para 1,5litro de água, fica delicioso).

Quando sozinha, ficava bem na pegada “bicho e planta”, raramente consumindo grãos, mas agora, percebi que seria interessante, econômico e mais diverso, reintroduzir. Sempre tenho arroz branco, arroz de risotto e quinoa em grãos para acompanhar nossas refeições – são um excelente “veículo” para brócolis, couve e espinafre, itens não tão bem aceitos quando apresento como salada simplesmente.

Também sempre tenho algumas variedades de massa: a maioria sem glúten (pizzocheri de trigo sarraceno, bifum de arroz, vermicelli de feijão, aquele espaguete lowcarb de grão de bico, e os tradicionais só que sem glúten), mas também ocorre de ter massa fresca com glúten aqui – essas são de saída bem rara, provavelmente menos de uma vez por mês. No entanto, temos na esquina de casa uma pizzaria com massa de fermentação longa, molho artesanal e queijo de búfala, que aparece a cada 10 dias na nossa mesa, em média.

Não me preocupo em comprar e estocar doces, salgadinhos, latas de energético, cerveja, ou leite condensado. Quando vejo, tudo isso se materializou dentro de casa através de presentes, compras que não fiz, e vontades súbitas que também me dão. Se tem uma coisa que não é preciso planejar, são as bobagens – elas simplesmente brotam espontaneamente.

Só jantamos juntos, o restante das refeições são separados, quando em dias de trabalho normal.  Procuro fazer um jantar o mais completo possível, pois os almoços (principalmente os dele) são muito improvisados, quando não inexistentes. Para mim, que moro pertíssimo do trabalho, costumo fazer um pouco a mais de jantar, para poder almoçar no dia seguinte. Escolho no próprio dia o que preparar – no máximo, na véspera, e aí deixo a proteína em questão descongelando na geladeira.

Adoraria dizer que sou virtuosa e lavo e seco minhas folhas, deixando-as prontas num pote com papel toalha, mas é mentira. No máximo, deixo de molho com água, num pote imenso, e lavo na hora – mas prefiro mesmo é já comprar lavada.

Tenho um acervo imenso de temperos, secos, frescos, pastosos e líquidos. Sempre tenho manteiga em casa, quando não muito boa, faço ghee, banha de porco artesanal, azeite de oliva (um ok, para refogar, e um excelente, apenas para finalizar pratos), óleo de coco, e um óleo vegetal para bolos e para a maionese caseira. Tenho sempre pasta de amendoim e alguma pasta de castanhas, diversos tipos de mel, um adoçante e um açúcar (geralmente o mascavo ou demerara, que são os que mais aparecem nas receitas que faço).

Recentemente, como estivemos de férias, e é verão em cheio, estou com essa ideia de uma alimentação mais fácil e divertida, fazendo o melhor possível em termos de diversificada e nutritiva, mas sem pirar. Não excluo nada, só acrescento. Nada de tirar glúten do choripan, por exemplo, só cuido de caprichar no vinaigrette, insistir num acompanhamento com folhas.

E para ilustrar, listo as últimas comidas que comemos, em ordem cronológica (em negrito o link com receita daquelas que já publiquei):

  • peito de frango ao molho de mel e shoyu, arroz com couve e salada de tomates;
  • filé de tilápia “empanada” no trigo sarraceno, batatas assadas ao alecrim, salada de folhas verdes com laranja;
  • quibe de forno, babaganoush, hommus, lentilhas (noite da virada);
  • choripan (linguicinhas assadas no pão francês, com vinagrete, molho chimichurri, catchup e mostarda);
  • salada de camarão, rúcula e manga, guacamole e chips.

E para o caso de isso ser útil como sugestão, segue a lista de alimentos frescos, feira e açougue, que regem nossos jantares costumeiros aqui em casa. Espero que alguém leia e sirva de incentivo para organizar e diversificar a rotina alimentar em suas casas!

 

LISTA DE COMPRAS SEMANAL

 

2 comentários em “Comida de família, agora que somos uma

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