Na crônica em tela, aceito interpretações

30 de dezembro de 2018, praia da Daniela, já estou limpando minhas coisas para ir embora, quando uma estranha movimentação se inicia com a família logo à minha frente:

Uma mulher chora copiosamente, com as mãos no rosto, enquanto outros dois adultos, uma mulher e um homem, apontam para longe e dizem “é ela, ela está bem, lá vem ela, calma”! Lá onde eles apontam, um homem conduz uma menininha pela mão, que deve ter uns 5 anos no máximo, talvez menos.

Eles se movem devagar, no passinho da criança, e por isso, demoram a chegar na presença do grupo. Já larguei minhas coisas de lado e estou também esperando, porque não entendi e fiquei encafifada com o que está se passando. Porque a mulher chora? Porque está tão nervosa? E o mais intrigante pra mim: porque ninguém se mexe e vai ao encontro do homem com a menininha, já que estão tão alvoroçados?

Aí eles finalmente chegam, e começa uma agitação intensa ao redor da criança e do homem que a resgatou: segundo ele, um outro homem, desconhecido da menina, a estava “levando”, como se fosse levar embora. Isso causa revolta naquele que resgatou, e nos outros ali presentes. Fica aquela cena de maluco, um contando como foi que a menina sumiu, outro como foi que a achou, ninguém se ouve nem se entende.

No final, ainda escutamos eles dizerem da possibilidade de irem atrás do homem que ia levando a menina, “pra dar um pau nele”.

Não sei a moral da história para a família, só pensei cá comigo: se esse povo todo esperou parado a menininha ser trazida, o cara que a estava “levando” não corre o menor risco de levar um pau. Nunca vi um grupo tão espectador do próprio drama. Me senti no meio de uma pornochanchada! Especialmente na hora em que todo mundo gritava e gesticulava junto.

Conheço um punhado de gente que não participa da solução (buscar a menina) e fica chorando copiosamente, falando agitadamente enquanto a olha, fazendo a maior balbúrdia depois que a situação já foi solucionada, e aí sim, se propondo a ir atrás do “culpado” pra dar um pau nele.

Essa história tem outros possíveis enredos?

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