O que levar para comer no avião?

Nos últimos 10 dias, eu estive em exatos 10 voos, e não foram um por dia, não (eu sabia que devia ter visto melhor esse negócio de ser aeromoça). Foram concentrados nas minhas viagens de férias, me fazendo ficar dias inteiros entre aeroportos, voos, e a dor na bunda era fora de proporção.

Entre domésticos e internacionais, tudo de LATAM, que só não cobra o ar que você respira porque ainda não achou jeito de embalar bem, eu antecipadamente me precavi e separei umas coisinhas para levar. Um pouco, porque me conforta ter uma comidinha com meu sabor em dias hostis, mas principalmente, porque os preços são abusivos em aeroportos e porque sempre acaba sobrando comida em casa.

Hoje em dia isso melhorou demais: os aeroportos maiores (tipo Guarulhos, Brasília) são cheios de opções, você pode almoçar e jantar super bem, tem franquias que vendem sucos de verdade, opções naturebas para aqueles com restrições, é bem diferente de outros tempos. Só precisa ter bolsos fundos.

Minha primeira saga de aviões era de Florianópolis a Lima em incontáveis conexões e aguardos. Por puro acaso, eu estava fazendo a operação salva tudo da geladeira (processando e congelando aquilo que iria estragar), e ali vi potencial para preparar um potinho de comida.

Cozinhei uma quinoa mista, adicionei abóboras assadas, temperei bem, e guardei num potinho plástico, desses que os legumes às vezes vêm embalados no mercado. Assim, quando terminasse de comer, poderia deixar o pote no lixo e seguiria de bagagem mais leve. Lavei e cortei morangos, que pus num outro potinho (esse não descartável) com a última colherada de pasta de amêndoas que tinha no vidro, e joguei dentro uma colherinha descartável.

 

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A comida mais gostosa da cidade

Fora isso, havia passado no mercado e adquirido uma barrinha de chocolate, e feito bolinhas de frango com batatas, que enfiei no mesmo pote da quinoa.

Só digo-lhes uma coisa: foi a salvação da lavoura em Congonhas, onde paguei R$8,00 por uma água com gás. Estou considerando levar a água da próxima vez.

Em Foz, a situação era ainda mais grave e periclitante: o aeroporto minúsculo e improvisado é mais feio do que muita rodoviária do interior, só tinha uma lanchonete com itens suspeitos à venda, qualidade de rodoviária com preços de JFK. O pacote do Fandangos custava R$10,00.

Terminei de comer todos os meus lanchinhos e paguei mais uma fortuna na água, porque nem bebedouro tinha naquele lugar.

No voo internacional, cuja duração é de 5h e era no período noturno, a vida não andava melhor: um sanduíche frio foi servido, junto de bolachinhas salgadas. Comi o sanduíche, lógico, porque já não possuía nada mais.

E me preparei para a volta: comprei batatinhas chips (compro aquelas mais saudáveis, tipo as Roots), mais chocolate, frutas portáteis (como maçã e tangerinas), e tomei um milionário café da manhã de 15 dólares em Lima. Mas tinha ovos, era farto, e ovos são vitais para forrar o buchinho da gente em viagens longas, alimenta demais. Mesmo sanduíche frio no voo. Guardei as miniaturas de manteiga, pois dirigir é prever.

No voo seguinte, meu namorado que estava nas pickups dos preparativos: cozinhou todos os ovos da geladeira e descascou, comprou frutas, chocolate e barrinhas. Não precisou de quase nada, porque na hora do almoço estávamos em Brasília, e opções não faltaram.

Já na volta, não era possível fazer nenhuma preparação doméstica, porém na noite anterior eu havia ficado cheia demais para meu sanduíche de azeitonas, verduras, queijo e presunto. Praticamente uma profecia: embalei no filme plástico do queijo e transportei comigo. Estava delicioso na conexão final, onde ainda tínhamos as batatinhas chips de novo, além de biscoitos, chocolates, e balas (porque nosso pequeno ritual de casal é viajar comendo Skittles).

Uma coisa que posso dizer-lhes com certeza é: leve pelo menos três opções de comida com você. Fora nunca vai. Parece que estar ansiosamente esperando a viagem (fora quando existem atrasos) aumenta a fome, ter toda aquela oferta de opções aumenta a fome, e no aeroporto sempre é mais caro. Algumas comidas são mais portáteis, outras só dão estresse, mas aí a pessoa precisa decidir o que estressa mais. Eu estresso mais querendo comer e não conseguindo. Por isso, levo minhas comidinhas.

Comidas que se podem comprar em qualquer lugar e são fáceis de levar:

  • barras de chocolate (têm prazo de validade longo, sem medo de desperdiçar);
  • barrinhas de lanche (cereal, nuts, proteína, a oferta é imensa, são pequenas e gostosas);
  • pacotinhos de castanhas salgadas (bem menos volumosas que as batatinhas, menos sensíveis a serem amassadas e quebradas);
  • sanduíches (só embalar bem e mandar ver no recheio que gosta mais);
  • biscoitos cuja embalagem é um cilindro (não como, mas sei que a maioria come, e não incomoda quase nada na mochila);
  • maçã, tangerina, pêra, e as secas (damasco, tâmara, côco);
  • balas e chicletes (sério, mascar no meio do dia ajuda a acalmar, e a despressurizar alguns ouvidos sensíveis).

Comidas que se podem fazer e aguentam por até 12h sem refrigeração:

  • grãos como arroz, quinoa, grão de bico, cuscuz – tudo sem molho, para não entornar, bem refogado e temperado fica excelente, você come estilo salada;
  • sanduíches ou cubos de queijo e presunto;
  • ovos mexidos ou cozidos (esses eu sugiro comer primeiro de tudo);
  • bolinhos estilo salgado maromba (frango desfiado com batata amassada), ou empanadas (essas eu tiro do congelador e ponho na bolsa, ao longo do dia vai descongelando naturalmente e assim fica preservado);
  • batatas variadas assadas: faça na sua casa um tabuleiro de abóbora, batata-doce, batata inglesa, tempere com sal, azeite e alecrim. Mesmo frias, estarão deliciosas num potinho;
  • miniquibes de carne ou de opção vegetariana. Asse as bolinhas, se quiser mais segurança, congele bem e vá deixando descongelar ao longo do dia;
  • bolos secos, sem cobertura ou calda, cookies caseiros se você for a Deusa barroca da comida homemade (te invejo de longe enquanto não sei ser assim).

Voos domésticos pode-se levar TUDO. Internacionais, tem a restrição dos líquidos, e em certos países, tem as normas de biosegurança que te impedirão de adentrar o recinto com alimentos (o Peru era assim, por exemplo). Então leve o suficiente para você se satisfazer, mas sem correr o risco de jogar algo fora, e coma primeiro aquilo que não tem embalagem e código de barras.

Enfim. Depois que comecei a viajar levando meus lanchinhos, nunca mais consegui mudar de vida! Recomendo para todo mundo.

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