Como está minha imunidade, cap. 239804324023

Depois de ter ficado super chateada (diria até deprimida, revoltada também) após os resultados sofríveis de 3 semanas atrás, arregacei as mangas e comecei, mais uma vez, tudo de novo.

Me ajudou muito, uma conversa que tive com meu irmão que me falou algo tão evidente, mas que para mim ficou turvado nos dias de maior insatisfação: eu estava cometendo um erro metodológico grave, ao analisar os meus próprios resultados.

Considerando que eu tenho duas doenças autoimunes diagnosticadas e uma intolerância alimentar confirmada, como eu pude ter a arrogância de me comparar com quem não tem nada? Como posso querer chegar num estado de plenitude, cura 100%, sendo que para mim, o 100 vai ser no máximo, no melhor dos casos, uns 80%? E o principal: como posso condenar meu empenho, meus esforços e dedicação como inválidos, se não tenho como mensurar o quão pior estaria, se não tivesse feito nada?

Fui tomada de uma onda de alívio, descompressão, associada com um sentimento de burrice. Logo eu, a que se autointitula super crítica, técnica, teórica, política e o que mais quiser… cometendo um erro básico desses?

Aí parei imediatamente com isso, porque se autoflagelar não ajuda. Botei um sorriso no rosto e fui cozinhar, treinar, e viver a vida, enfim. Isso ajudou muito – eu diria que foi mais importante que tudo. Vi que no pior da confusão, não tive vontade de abandonar todo esse peculiar edifício de construí, de hábitos tão importantes para meu auto-cuidado. Porque (isso é muito importante), eu gosto da vida que levo.

Eu gosto genuinamente de me deitar 21h, levantar antes das 6h, fazer atividades físicas sempre, comer minha própria comida, escolher alimentos orgânicos na feira, cozinhar para a semana, fazer análise, tentar me conhecer e manejar as minhas emoções. Eu não faço isso porque devo, eu faço porque quero. 

E você, gosta da sua? Gosta de como são suas manhãs, do que escolhe ler antes de dormir, das coisas que assiste para se distrair, dos passeios que dá quando tem sol? Pode parecer uma pergunta capciosa, mas não é. Eu não sabia o que pensava a respeito disso, até fuçar muito.

Tirando isso, o monitoramento médico. Alguns dias (e muitas injeções depois), o hemograma normalizou. Isso não quer dizer tudo, mas quer dizer que: a partir daquele ponto, meus esforços em modificar o padrão disbiótico poderia responder melhor. Aquilo que não absorvi por ingestão oral, absorvi por via intravenosa, mas agora, haviam em mim marcadores bioquímicos suficientes para que as reações enzimáticas fluíssem.

Também administramos durante alguns dias, remédio para dormir. Um tricíclico, com estrutura similar aos antidepressivos, porém com dosagem mais baixa e que não chega a ser classificado como psicotrópico que ganha a tarja preta na caixa (critérios farmacológicos), tampouco causa dependência química. Porém, um remédio para dormir. Pesado pensar isso, né? Mas eu precisava dormir. Eu deitava cedo, acordava no meio da madrugada por qualquer razão (tenho o sono muito leve), e “descobri” que tenho bruxismo. Ou seja, um péssimo sono. Péssimo sono, péssimo intestino, péssima imunidade, péssima saúde. Tomei os remédios, agradecida. Uma semana depois, terminadas as amostras grátis, tentei dormir “sozinha”. Estou dormindo melhor.

(Não mencionarei o nome de nenhum medicamento para não incentivar automedicações irresponsáveis).

Com o sono melhor, o hemograma melhor, os hábitos que já vinha cultivando (e melhoraram um tantinho mais), acionamos ainda alguns protocolos de suplementação extra: uma superdosagem de vitamina D, uma dosagem “normal” de zinco (é um potente boost antioxidante quando associado a outros cuidados) e probióticos todas as noites.

Estou saindo de férias a partir de hoje, só duas semaninhas. Viajarei do primeiro ao último dia, e além de passear, descansar e me divertir, tenho a tarefa de cuidar de mim. Tomar minhas coisinhas, dormir bastante, tomar muito sol, me alimentar, me movimentar. Fazer a gestão das minhas emoções, me perceber, internalizar várias coisas.

A partir de outubro, refazemos os exames, para verificar como estão os marcadores que deram tanto trabalho em final de agosto. Se necessário, mudamos o protocolo outra vez.

E pelo visto, vai ser assim pra sempre, né? Buscando me aproximar dos meus 100%, que são os 80% de indivíduos totalmente sem doenças*, respeitando o fato de que o tempo está passando e algumas coisas que antes eram fáceis, a partir de alguma idade vão ficando mais difíceis.

* Quis demarcar sem doença ao invés de saudáveis ou “totalmente saudáveis”, porque hoje me considero uma pessoa saudável. Mesmo que tenha pontuais problemas de saúde para resolver, e necessite de mais cuidados por conta disso, vivo uma vida autônoma, laborativa, e satisfatória. Isso é muito mais do que eu poderia pressupor, e me alegro por isso. 

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