O que comi em Paris

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Exibicionista no meu passeio de barco

 

Eu fiquei muito encantada e aficionada por Londres, e quase que não chego na parte “Paris” das últimas férias. Mas embora ainda teria assunto pra render sobre a Inglaterra, resolvi dar um tempo nisso e diversificar os assuntos.

Passei uma semana em Paris, finalmente! Era minha terceira vez na cidade, e agora para dormir e ficar. Sempre havia passado conexões longas, o suficiente para dar um rolé mínimo, e conhecia a Torre Eiffel e o Arco do Triunfo, e suas imediações. Agora eu poderia andar, entrar em lugares, me demorar… e comer, muito mais do que das outras vezes.

Ficamos num flat muito bem localizado, coisa de uns 5min andando da torre. Custou uma pequena fortuna, o banheiro era uma piada (chuveiro não tinha, era um chuveirinho dentro de uma banheira), mas razoavelmente confortável, com cozinha integrada na sala, aquecimento, e – o mais importante – geladeira grande, fogão e forno funcionando!

Antes de ir, me dediquei imensamente às pesquisas e resolvi listar comidas, ao invés de lugares. Por ser uma cidade extremamente turística (e cara), me pareceu que seria perda de tempo procurar joias perdidas no meio do nada. Paris é de todo mundo, todo restaurante parece querer a) te fazer sentir a “tradicional” experiência bistrô ou b) te dar uma experiência tão autêntica que cai no estrambólico.

Vamos ao simples, então. Simples e infinitamente mais barato. Simples e altamente exclusivo – de mim para mim mesma, customizado conforme o meu próprio gosto.

Estando num apartamento, podia cozinhar e armazenar alimentos. Assim, todos os dias, eu visitava um dos supermercados locais e escolhia um queijo, uma baguette e um vinho diferentes do dia anterior. Fosse no almoço, fosse no jantar, eu comeria em casa aquela refeição. Às vezes, levaria também para a rua. Me deliciei com o frango assado, vendido somente na hora do almoço, com um temperinho bem suave, porém marcado de especiarias, com cenouras e batatas assadas na gordura do frango. Delicioso e barato.

Os doces, deixei para comer na rua: os macarons de Hermé (pois anos atrás peguei birra com os Laduré que provei, achando que tinham retrogosto de ovo), começando pelos já prediletos (amo o de framboesa com rosas), depois indo para aqueles novos. Não pretendo mais comprar de outras marcas, porque até são um pouco mais baratas (mas não tanto), só que são muito menos gostosos. O barato sai caro.

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Pistache, framboesa, chocolate e maracujá

Madeleines, pain au chocolat, éclairs, tudo isso eu aproveitava durante o passeio, para tapear a fome e experimentar. Acho madeleines superestimadas, e talvez me falte comer uma realmente boa, bem recomendada. Sou completamente ganha para os pães de chocolate, no entanto, que são uma opção super barata, de fácil acesso (tem em qualquer lugar) e deliciosa.

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Gosto de nada, de bolo doce, nem lembra a fruta do sabor.

Comi boeauf bourgignon, soup a l’oignon (meu prato predileto, encantador). Ficou faltando comer o pato, e eu consegui a façanha de ir embora sem um creme brulée. Terrível, mas preciso admitir que me faltou tempo. Tampouco comi crepes, porque calhou de todos os lugares serem extremamente turísticos, e eu não vim até Paris pra comer Nuttella. Comi falafel, e achei uma delícia (embora um pouco caro, pensando no custo dos ingredientes e o preço final ao consumidor).

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Cebolas refogadas no vinho e manteiga, reduzidas por horas: é absolutamente delicioso

Bebíamos em média duas garrafas por dia, uma de vinho tinto, outra de espumante. Bebemos champagne, também. Comprei verrines, comprei queijos e geleias, comprei mel, aquele maravilhoso mel cremoso que só se vende lá (que eu saiba) – parece uma manteiga de mel, mas no caso, é mel mesmo!

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Primeiro dia, no Jardin des Tuilleries – um champagne acompanhou a salada e o pão

Queria ter comido mais frutas, principalmente as berries, mas honestamente, não achei bons preços. Pode ser porque a conversão estava desvantajosa, mas o mais provável, é que eu esteja muito mal acostumada com os preços eslovacos, tão camaradinhas do leste. Outra hipótese, essa mais triste, é que os industrializados costumam custar menos mesmo. A cada 3 euros eu tinha metade de uma garrafa de vinho com denominação de origem, ou mesmo um queijo bio (como chamam os orgânicos lá), e eu acabei compensando uma coisa pela outra.

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Era possível comprar alguns legumes e verduras, além de grãos, por peso nos Monoprix – mas tudo frio…

Não bebi bons cafés em Paris. Salvo aqueles que foram tomados na loja da Nespresso, na Champs Elysées. Tomei chocolate quente da franquia de Alain Ducasse, e devo confessar: muito chocolatudo, se vê que é de qualidade, mas pouco doce para mim. E se é pouco doce para mim, acredite: é completamente amargo para você.

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Uma alta dose de chocolate nessa bebida

No pé da Sacre Coeur, achei uma loja da Lindt e aproveitei para comprar algumas barras para presentear as pessoas e garimpar sabores mais raros: a de caramelo salgado não tem absolutamente graça nenhuma (aliás, comprei um pote de caramelo salgado nas Galerias Lafayette e também não vi graça nenhuma). Aquela loja de doces, super fofa, La Cure Gourmande, também entrei no bairro de Montmartre, e sinceramente as embalagens são melhores que o que vem dentro. É tudo bonito, comi madeleines, mas sem sabor.

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Na loja da Nespresso, com mais um macaron que não é tão bom quanto os Hermè

Depois desses dias, voltei mais obstinada, com meus prediletos mais bem-definidos. Gosto da proposta lowbudget de Paris, de poder comprar meus queijos, meus pães, meus vinhos e comer assim. Eu confesso que sou aficionada por supermercados, enlouqueço mesmo. E lá é a verdadeira Disney dos malucos por supermercados. Trouxe produtos de excelente qualidade para casa, fora o que consumi lá.

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Printei do Snapchat: frango, batatas e cenouras suficientes para 2 adultos se fartarem por 3,90 euros

Preciso explorar mais ainda os restaurantes, os pratos principais, os bares. Numa próxima ida, vou me ater a isso, estabelecer um pouco mais de critérios gastronômicos, mas era minha primeira vez como turista também. Era imprescindível passear, não só ir atrás de restaurantes e depois ver o que tem ao redor. Fui uma turista normal dessa vez, e achava o que comer no entorno do passeio – e não o contrário.

Não entrei em nenhum museu, isso também ficou faltando. Andei, perambulei demais, todas as vistas da Torre são válidas, e adorei o passeio de barco pelo rio Sena. Vale muito a pena pegar o trenzinho em Montmartre. Vale muito a pena subir no último piso das Galerias Lafayette (fiz compras lá, sim, e não só de comida).

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Legumes e verduras recebendo spray nas Galeries Lafayette: têm uma vida melhor que a minha!

De tudo, o que mais me encantou provar (e eu já sabia de experiências anteriores) foi os queijos. E os pães também, vai – mas principalmente os queijos! Voltaria mil vezes, só pelos queijos. Inclusive trouxe 16 queijos para casa (3 foram confiscados pelo Ministério da Agricultura).  Fora os que comi por lá! Mas isso vai ficar de assunto para uma próxima postagem.

 

 

 

4 comentários em “O que comi em Paris

  1. Adorei o post Thaís. Paris é phoda, qualquer quantidade de dias que ficamos lá nunca é suficiente – é MUITA coisa boa pra se comer, seja na rua, na feira, nos supermercados, nos restaurantes…mon dieu!

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    1. Menina, eu li sua postagem, anotei tudo, mas quando cheguei lá, vi que teria de fazer uma escolha. Não ia dar para ficar correndo atrás de restaurante, era a primeira vez que eu ia! Cada deslocamento fica mais longo, a gente vai parando, e eu sei bem que essa minha mania de fazer turismo ao redor das comidas, me faz perder alguns outros detalhes, hehehe. Mas eu volto! Ah se volto!

      Beijos

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