Minhas primeiras impressões com a meditação: eu sou o centro de Florianópolis!

Se você não é de Florianópolis, use de seu poder de abstração e encontre o equivalente em sua cidade:

Apesar de ser a capital do Estado, ainda temos muito a cultura do centro da cidade como concentrador de serviços de comércio, bancos e órgãos públicos. E temos, em alguns pontos estratégicos, pontos de convívio, confraternização e boemia. Na Praça XV de Novembro, à sombra das árvores, se concentram mesas quadriculadas para jogos de xadrez. No Mercado Público, tem uma ampla área aberta, onde restaurantes e bares se misturam e as pessoas podem comer algumas coisas, mas principalmente, beber uma cerveja. E jogar conversa fora.

Turistas eventualmente frequentam, batem umas fotos, e às vezes, alguns locais também. Gente um pouco mais jovem, querendo uma alternativa de lazer diferente, ou até, trazendo algum parente de fora. Embora essas pessoas apareçam, elas não permanecem: os donos do pedaço são esses velhinhos, de todos os dias e todas as semanas. Eles todos se conhecem, os comerciantes ao redor conhecem eles, eles parecem mesmo meio donos do pedaço.

 

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Tudo dominado por eles! (Foto: Mauren Rigo)

E ontem, tentando meditar, eu me dei conta de uma coisa muito importante: a minha mente é o centro de flonapx e os meus pensamentos são os velhinhos que bebem cerveja lá todos os dias há mais de 30 anos.

Quando a meditação guiada me disse para não julgar meus pensamentos, e também não segurá-los, consegui vê-los passando por mim. E era um tal de “oi, tudo bem? oi, tenha um bom dia! oi, quanto tempo! oi galera, todo mundo veio!”. Ao cumprimentar meus pensamentos enquanto eles passavam pela minha mente, me deu essa percepção tão nítida de que eu penso praticamente as mesmas coisas, sempre.

Todos os dias, todas as semanas, anos a fio, eu penso sobre as mesmas questões, sobre os mesmos problemas, sobre os mesmos dilemas. Penso as mesmas coisas sobre mim mesma, exijo de mim mesma as mesmas posturas, negocio isso comigo mesma diariamente. Reafirmo acordos, brigo comigo por não ter mudado ainda, tenho esperanças renovadas. Lanço mão das mesmas desculpas, justificativas, crenças sobre mim e o mundo.

Os pensamentos diferentes, inovadores, que me dão prismas diferentes das situações, passam como os turistas ou os jovens que de vez em quando comparecem por lá, para dar um passeio e ir se abrigar num lugar mais condizente com seu perfil. Tomam uma cerveja, ouvem uma música, talvez até joguem um xadrez. Mas acabam não fixando ponto por minha mente, pois meio que os lugares já estão todos ocupados pelos locais.

Vocês têm ideia do quão aterrador é perceber que pensa as mesmas coisas diariamente durante anos? E que elas não te largam nunca?

Decidi, por isso mesmo, que vou arrumar umas mesinhas e cadeiras a mais em minha mente. Vou precisar de um jogador novo no xadrez, de um sambista além do seu Lidinho, de uma galera meio diferente pra beber cerveja no mercado. Ou qualquer outra coisa que eles queiram fazer.

 

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Amo o seu Lidinho da vida real, mas não estou dando conta do seu Lidinho que abrigo em minha mente. (Foto: Blog de Rotas)

Caras novas ideias, prometo providenciar assentos, bebidinhas, comidinhas e uma brisa. Vocês não reparem nos modos de meus antigos moradores: eles acabam hostilizando um pouco os novos visitantes, mas é só por falta de hábito. Nos vemos novamente amanhã de manhã, ou a qualquer hora que preferirem aparecer.

Queridos pensamentos antigos: não se assustem com as obras. Estamos apenas arrumando um lugar adequado para todo mundo poder ficar bem, e se por ventura alguém for despejado, prometo, não vai ser ninguém fundamental ou que vocês realmente precisem por ali. Nosso espaço anda meio lotado, e nós vamos ter que reacomodar geral. Por favor, sejam gentis, e lembrem-se que, apesar de não parecer, quem manda nessa porra ainda sou eu.

Beijos de luz ❤

 

 

2 comentários em “Minhas primeiras impressões com a meditação: eu sou o centro de Florianópolis!

  1. Que tapa na cara,hein. É nessas horas que a gente percebe como a zona de conforto é na verdade areia movediça. Inovar, mudar, em qualquer contexto, em especial, nesse contexto, é até um pouco assustador. Inconscientemente a gente se mantém sentado na mesinha de xadrez. Pode não tá excelente, mas promove bem estar e alegria “suficientes” pra gente voltar todo dia. Que bom que despertamos desse torpor.

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  2. Que interessantes suas observações, nunca tinha pensado dessa forma antes. Me lembrei até de um trecho de um livro que tava folheando ontem, falando que cada pensamento, cada decisão sobre um hábito que a gente burla ou não, constrói a pessoa que estamos nos tornando. Apesar do tapa no cara, nos dias de bom-humor, claro kkk, acho libertador essas nossas camadas que vamos descobrindo.

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