Os doces de Londres – comi e não gostei

 

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Brittish Museum – preços na média, muffins a 2,75 libras

 

Primeiro, como sempre, o disclaimer: não gostar é diferente de odiar ou ter repulsa. Não comi nada que fosse intragável ou nojento.

Eu tinha uma alta expectativa com relação aos doces ingleses, sabem? Pensava logo nos cinnamonrolls, tão fotogênicos, sonhava com os gingerbreads que são tão comuns no leste europeu (no inverno – especialmente perto do Natal), nos scones (há muitos anos atrás havia comido uns deliciosos em Buenos Aires num chá, e eu estaria na capital do fiveoclocktea), e nas shortbreads. Sendo a Marks&Spencer inglesa, tinha desejos incontroláveis pelos cookies, pelos curds de limão, pelas geleias que usaria para comer meus english muffins. Enfim, eu tinha sonhos, sabe?

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O cinnamonbun que partiu meu coração

 

Neles eu estaria num ambiente aconchegante, quentinho, com um chá fumegante entre os dedos e milhares de perfumes inebriantes de pães e bolinhos doces recém-saídos do forno, para me aquecer e me dar aquela indulgência que só um bom biscoitinho recém-assado pode te dar.

Spoiler: isso não aconteceu em Londres.

De todos os nomes de doces acima mencionados, não deixei de provar nenhum: em todas as feiras, mercados (Borough Market nesse sentido era o mais recheado de variedades, inclusive artesanais e orgânicas), cafeterias e delis pelas quais passei, eu provei os docinhos. Estabeleci logo na minha primeira tarde um ritual de todos os dias comprar uma caixa de cookies diferentes na M&S (provei todos os tipos de gotas de chocolate, o de gengibre, o de laranja com cranberry, o de nuts, o de amendoim). Tomei o chá da tarde na Patisserie Valerie com minha mãe (isso talvez mereça um post exclusivo pela experiência, mas a realidade é que não era tão bom, mas é vistoso).

 

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Todos lindamente expostos num frio de 8ºC

Tomei diversos cafés pretos meio fracos (o “americano”), porque no frio e umidade desumanos daquela primavera londrina, eu preferia um baldinho de café quente, do que uma simples dose de cafeína mais concentrada no martelinho. Os espressos que tomei eram todos básicos e sem nada de especial.

Mas os doces em si, acredito que me frustraram por um detalhe muito específico: eu acreditava que os comeria quentes, no pior dos casos, morninhos da estufa. E em absolutamente todos os casos, eles não ficam numa estufa, eles ficaram expostos, lindos, na temperatura ambiente. E ninguém aquecia aqueles bolinhos antes de comer!

Os doces ingleses para qualquer brasileiro já seriam um pouco frustrantes, pois não são tão doces. Os muffins, mesmo, beiram o insosso, mas a proposta real é que sejam de fato mais neutros, para você poder adicionar suas geleias. Mas eu me frustrei na textura também: estava esperando levar uma surra de manteiga a cada mordida, um derretimento maravilhoso (de novo a história da temperatura, percebem?), e eles eram normais. Vagamente amanteigados, alguns eram de fato secos e esfarelentos.

 

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Procura-se cremosidade amanteigada!

Não me arrependo de ter provado nada; só acho que minha mente criou uma experiência que não existia. E eu faço isso o tempo todo, principalmente antes de viajar: eu antecipo o prazer que determinada comida irá me propiciar, espero e anseio por isso. Nem preciso dizer que muitas vezes, me frustro.

A menção honrosa, fica assim sendo então para os cookies da M&S: valem cada penny investidos, e se me permitem uma sugestão, não escolham de cara os de caixinha. Peguem o pacote, um saco de papelão, no qual só vêm 4 cookies gigantescos dentro. Os recheios são mais abundantes, isso torna o cookie mais gostoso na textura também, são mais úmidos sem deixar de ser crocantes.

Nada disso me impediria de comer todas essas coisas novamente. Tampouco de morar em Londres e até de fazer em casa um cinnamonroll – para aí sim, comer quentinho. Mas comparando com os queijos, salsichas e até com os cupcakes da estação de trem, não gastaria mais meus pounds com isso.

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