Como eu emagreci 18kg – e porque eu emagreci?

Antes de começar um assunto espinhoso como esse, preciso observar que não sou nutricionista – em algum momento pode ser que eu venha a ser (estou muito devagar fazendo a graduação em Nutrição), mas hoje, sou só uma pessoa comum contando uma história particular.

Eu nunca fui uma pessoa esteticamente apontada como gorda, gordinha ou qualquer variação sobre o tema. Embora esteticamente tivesse vontade de mudar algumas coisas, também poderia ficar indefinidamente do jeito que estava. Eu fui fazer dieta, com prescrição profissional e todo o pacote, porque eu estava doente.

 

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2012, 73kg e me sentindo bonita por fora, morrendo por dentro

Minha vida há uns 5 anos atrás era pontuada pelos seguintes rituais: sem omeprazol, eu não podia colocar nada na boca. A azia e o refluxo me consumiam, a ponto dos médicos inicialmente investigarem calos nas cordas vocais, pois eu acordava completamente sem voz. Eu tinha alergias respiratórias constantes, uma tosse seca que não me deixava em paz em qualquer estação do ano – mas a qualquer variação climática maior, eu estava lá devidamente caída, ou me arrastando resfriada, indisposta e cheia de muco. Eu desenvolvi uma lesão na lombar (compressão da primeira sacra) que me deixou fora de circulação por algumas semanas, e depois levou meses de fisioterapia e injeções para me colocar novamente de pé – sempre com dor, no entanto. E foi mais ou menos no ápice disso tudo, que meus triglicérides estavam maiores que 300mg. E que eu ganhei pela segunda vez uma receita de estatinas (não cito o colesterol porque é controverso mencionar colesterol, mas o exame estava alarmante, sim).

Eu tinha 27 anos, e achei que era muito cedo para entrar numa roda de remédios que tendia a durar pelo resto da vida. Eu já tomava omeprazol, anticoncepcional (por causa da SOP), antialérgico, antiácido e antiinflamatório todos os dias. E confesso que eu nem considerava tudo isso um problema, achava algo super tranquilo de se lidar, parte da vida!

Como achei a estatina muito drástica (me foi prescrita por um médico do esporte, aliás), comecei a sozinha controlar minhas calorias, usando o fatsecret. Pensei: se eu não sinto nada por dentro, é só eu continuar ignorando esse diagnóstico e cuidar da alimentação que vai dar tudo certo… E foi o que eu fiz durante alguns meses, e surpreendentemente funcionou. Perdi alguns quilos, me senti melhor e continuei a vida.

Meses depois, acabei me consultando pela primeira vez com uma nutricionista. E só de fazer a anamnese comigo, me perguntar como era minha rotina, eu via no espanto dela, que eu não deveria tomar tantos remédios, e nem achar tão normal tudo o que eu fazia para contornar os incômodos que sentia. Saí de lá com uma dieta funcional (nem sabia o que era isso), e com a ideia de que deveria “desmamar” de tantos remédios, principalmente o omeprazol.

Em um mês havia emagrecido, dormia e respirava melhor, tirei o omeprazol por conta quando acabou (e deu tudo certo), me sentia extremamente bem-disposta e estava até treinando uma vez por semana! Com 64kg eu parei de sentir as dores lombares, era uma beleza.

 

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No meio da cabeça dá para vislumbrar uma falha no couro cabeludo que não consegui disfarçar com o cabelo preso

Relaxei um pouco, senti os efeitos meses depois: embora estivesse com o mesmo peso, estava extremamente estressada, perdendo os cabelos (não só com muita queda – eu tinha rodelas lisinhas de crânio aparecendo no meu couro cabeludo), e comecei com uma cistite (infecção urinária) de repetição que me levou a aproximadamente 9 antibióticos seguidos. Tive que mentir para o médico e pedir o último, pois o que costumava me atender, já não prescrevia mais sem o exame de sangue, que levava 12h para ficar pronto – quem já teve cistite, sabe o que significa 12h sem o remédio, né?

Mais um ciclo de vacinas, mais uma nutricionista: dessa vez, indicada pelo médico para resolver a imunidade. Comecei a ser acompanhada por uma profissional adepta da linha paleo lowcarb (que era então uma novidade no Brasil), e fui aprendendo coisas sobre as quais nunca soube: o que era paleo, o que era cetose, o que era jejum intermitente. Eu fiquei mais de um ano sendo acompanhada por essa profissional absolutamente incrível, e tentamos várias estratégias: paleo sem ser lowcarb, lowcarb (que hoje seria considerado normcarb, nunca foi menos do que 100g de carboidratos líquidos por dia), alto em proteínas, ciclos de jejum intermitente (fiz diversos protocolos, mas ficava principalmente entre 16h e 20h, chegando ao pico máximo de 25h e mantendo o mínimo de 12h sem nem sentir)… Emagreci sem perceber outros 7kg, e a partir daí não consigo mais contar em termos de peso, pois iniciei a treinar musculação de maneira mais consistente, e isso sempre aumenta o peso.

Fui para um período de extremo conforto, em que me sentia no controle da minha saúde, sendo ativa, me alimentando muito bem, mas também me permitindo comer tudo aquilo que hoje se considera diabólico: pizza, bolos com recheios cremosos, hambúrguer com batatinhas (e sempre com pão, lógico), muitos brigadeiros e sorvetes. Nunca mais aumentei de peso, embora tivesse dias mais cheinha, e dias menos. Comecei de novo a repetir cistites, procurei mais uma nutricionista paleo lowcarb: com um plano extremamente lowcarb no início, para depois ficar mais normal. Fiz durante 15 dias e analiso, sinceramente, que perdi 15 dias de vida sem frutas. Nunca mais! Usei suplementação que precisava, e foi o suficiente para perceber que essa vida de restrição não cabia mais em mim. Curada das cistites e novamente com os exames tinindo de tão bons!

 

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Março deste ano – prestes a recomeçar os exames 

Pula para hoje, junho de 2018. Endoscopias, testes de intolerâncias e mais alguns exames, o resultado: estou inflamada, intolerante à lactose e com dificuldade de absorção de nutrientes (além da eliminação das toxinas). Pelo meu histórico familiar, a permeabilidade intestinal vai me assombrar o tempo todo, ser minha companhia, e eu vou ter que lidar com isso.

Consultei mais uma nutricionista, a quinta em minha vida (essa mexe com nutrição integrativa). Gastei uma fábula em medicações manipuladas, fora as injeções receitadas pelo gastro, aprendi mais alguns detalhes sobre a minha alimentação, e lá vou eu, com meu novo cardápio, cuidar de aquietar essa intolerância e a duodenite que me tem feito sentir tão mal. Magrinha, cheia de cabelos na cabeça, mas sem a sensação de bem-estar que deveria sentir alguém que investe tanto em se alimentar, dormir e treinar bem.

Recapitulando, então:

  • 18kg a menos num total de 2 anos e meio;
  • 2 nutricionistas diferentes;
  • por volta de uns 10 protocolos diferentes, alterados em média a cada 3-4 meses;
  • atividade física moderada, no máximo 3 vezes na semana;
  • controle de doenças vinculado sempre ao controle dos hábitos alimentares (se eu pioro o hábito, pioro o meu estado de saúde);
  • suplementos sempre prescritos com objetivos de reforço imunológico;
  • o estresse sempre foi meu pior inimigo em todos os períodos!

Quando alguém me pergunta “o que fiz para emagrecer”, a resposta é extremamente complexa, pois foram muitos anos de tentativas e abordagens. Mas o principal foi que tratei a mim mesma com o maior cuidado do mundo, como se fosse um bebezinho: ritual de sono na hora de dormir, comidinha especial, com alimentos frescos e orgânicos, consultas e exames sempre em dia, e muito cuidado com a saúde mental.

Eu sempre gostei de comer bem, a diferença é que antes, eu dividia mais ou menos ao meio, entre as comidas completamente frescas e integrais, e aquelas mais processadas. Nunca fui consumidora de fastfood, sempre fiz minha própria massa, meu próprio bolo, mas ainda assim, consumia bastante doces, farinha branca, frituras. Bebia muita cerveja, além do vinho. E por aí vai.

Hoje eu como 90% de carnes, ovos, frutas e verduras, e deixo uns 5% para o vinho, os grãos (quinoa, aveia, amaranto), os queijos e iogurtes, o leite condensado (eu amo brigadeiro, nunca vou abandonar). Os outros 5% são as minhas saídas para comer fora, com qualquer coisa que me dê vontade. Não faço mais jejum intermitente, por conta do estresse (jejum aumenta o cortisol, hormônio que no momento anda bem em alta aqui).

Treino musculação de 2 a 3x na semana, intercalo com corrida. Recreativamente, caminho, passeio com o cachorro, muito eventualmente brinco de patinete, andei até fazendo stand up paddle – mas com o fim do verão, deve demorar a se repetir. Sempre usei os finais de semana para garantir a atividade física da semana: pensava que, dando uma caminhada no sábado e outra no domingo, no horário que eu quisesse, só ia me faltar mais um dia de semana pra me manter na média recomendada.

Durmo no mínimo 7h30 por noite, em geral mais. Faço a higiene do sono, não ligo luzes após anoitecer em casa (salvo quando estou na cozinha ou no banheiro por razões óbvias), só leio literatura e assisto filmes até 21h. Nesse horário impreterivelmente estou me desligando do mundo virtual, para deitar até 21h30. Acordo entre 5h30 e 6h – uso aquele aplicativo chamado Sleepcycle para me acordar no melhor momento. Tomo sol todos os dias por pelo menos 15min.

Não bebo mais que 1 garrafa de vinho por semana, sempre distribuído em doses, geralmente nos finais de semana. Bebo água compulsivamente, chás e cafés. Estou reduzindo o café a 3 por dia, o último sempre até 16h no máximo. Tenho um planner onde anoto as refeições que fiz ou pretendo fazer, isso me ajuda na organização do menu da semana (porque eu como minha própria comida em 95% das refeições).

Definitivamente, é mais fácil seguir plano alimentar ou dieta para quem gosta de cozinhar. Consigo pensar em pelo menos 20 formas diferentes de comer um tomate, e de vez em quando descubro novos jeitos de apresentar e preparar os alimentos! Meu ponto turístico preferido de todos os lugares do mundo é o supermercado.

Virei meio que consultora para assuntos de dieta para meu círculo de amizades, por todas essas tantas que fiz. Mas jamais dou minha opinião sem ser solicitada, por maior que ache a bobagem que está sendo dita.

A melhor dieta é aquela que a pessoa faz. Os motivos que levam alguém a fazer dieta são totalmente particulares, assim como os métodos psicológicos que vão manter a adesão dela nesse projeto. Alguém que precisa de ajuda, não deveria procurar isso na internet, e sim no consultório de nutricionista – profissionais que eu respeito e agradeço imensamente por existirem!

 

 

 

2 comentários em “Como eu emagreci 18kg – e porque eu emagreci?

  1. É muito bom te escutar. Sou gorda e quase que minha vida inteira fui. E não me faltam pessoas para dizer que é falta de vontade para emagrecer. Tu fala da tua experiência com muito respeito pela caminhada, não apenas da tua, mas de maneira geral mesmo. Já te admirava muito e agora ainda mais. Curto cada prato, receita, descrição bem humorada …. enfim me sinto muito inspirada em tua história. Te amo linda mil bjus

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    1. Oi meu amor! Nem sabia que isso para ti era uma questão, nunca tocamos nesse assunto e acho que isso é um sintoma do nosso relacionamento né?! Falar de ideias e de experiências nos interessa muito mais! E tudo em ti me inspira, principalmente, a tua vontade de fazer as coisas! Só alguém que não te conhece poderia dizer algo assim sobre você ❤

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